A crítica – como a filosofia – não tem nenhuma utilidade, salvo para criar no leitor a sensação de compreensão de um determinado texto ou uma criação plástica. A crítica ainda é iluminista, humanista, vinculada à hermenêutica e à dialética. A produção artística se desenvolve ao largo, fora da crítica, como espaço de devaneio ou ficção, assumindo a responsabilidade de uma autenticidade diante do leitor ou do espectador (não importa se são poucos). O jogo com o acaso, a intuição e o leque de leituras possíveis incitado por uma criação textual ou plástica não procuram vender uma ilusão, mas acusá-la: a crítica pertence a um pensamento logocêntrico, ainda vinculado ao tempo linear e cristão, e à idéia da “descoberta”. Para os artistas, o essencial é renunciar à crítica, o que significa: abdicar do poder.
Veja mais provocações em Pequenos ensaios.
Publicado em 28-11-2007 na categoria Gerais |
2 Comentários para “Utilidade da crítica e da Filosofia”
Salve Renato! Tá bonito o blog!!
Muito interessante…voltarei mais vezes, com mais tempo para ler seus textos.
belos dias pra vc
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