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“Mulher azul”: a diretora Maria Emília de Azevedo fala sobre o filme baseado em meu livro

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"Em uma manhã azul, no início de janeiro de 2009, sentados em um café na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, Charles Cesconetto (diretor de fotografia), Marcelo Esteves (roteirista) e eu resolvemos fazer a filmagem de “Mulher azul” na França. Nesse momento, ainda não sabíamos qual a região, mas estava decidido, íamos para a França. No princípio, a idéia de Charles pareceu absurda. Por que a França? Como iríamos para lá com a equipe? Algumas questões estavam indefinidas. Marcelo, racionalmente, considerou que poderíamos alterar algumas cenas para facilitar a filmagem em um país estrangeiro. Não tão estrangeiro assim, porque Charles morou por lá muitos anos e tem amigos e produtores conhecidos! Marcelo continuou seu raciocínio em relação à produção: podemos considerar outra produção que fizemos na Itália, com equipe mínima e preparada para qualquer eventualidade de produção e narrativa. A idéia me pareceu fascinante... Desafio à vista! Na realidade, meu desafio já estava definido desde a decisão de adaptar o texto poético de Renato Tapado, “Mulher azul”. Nada fácil – articular um belo texto em imagens cinematográficas! Outro desafio seria melhor! E por falar em desafio – todo o planejamento à mesa do café parecia perfeito –, como comunicar esta pretensa aventura ao produtor executivo, Zeca Pires?! Coube a mim esta tarefa. Nada fácil convencê-lo. Zeca ficou convencido somente após o fechamento da co-produção com uma produtora francesa e o apoio da Film Comission da Região Paca.

Tudo acertado, partimos: S.Paulo–Paris. De Paris a Arles, em TGV. Uma pequena caravana brasileira em busca da luz da Provence para realizar o “Mulher azul”. Patrícia Teotônio, atriz, Zeca Pires (produtor executivo e técnico de som direto), Charles Cesconetto (diretor de fotografia e produtor na França), Marcelo Esteves (roteirista e assistente de direção, produção e arte) e eu.

Chegamos à noite em Arles, na estação aguardados por Valérie Beneyt, nossa produtora local, que dirigia uma van. Depois de todas as apresentações oficiais, partimos em direção a Mas D’Argence, locação do filme e nossa habitação durante a filmagem. Até os arredores de Fourques, cidade da locação, nossos corações batiam forte na expectativa de vermos a casa de “Mulher azul”. Valérie foi categórica na entrada do sítio – já percebendo nossa euforia: não podemos fazer barulho! E continuou, o casal dono da casa já está dormindo e não permite ruídos no local! Ficamos em silêncio absolutos já dentro da van.

Abrimos a casa, acendemos as luzes! E que surpresa, tudo era como queríamos: móveis, objetos, detalhes arquitetônicos. Parecia ter passado por lá um diretor de arte e deixado tudo pronto. O quarto de Patrícia era, realmente, o quarto de M. Emocionados, não conseguíamos dormir.

Na manhã seguinte –, destinada à organização da produção e estudos de direção –, recebemos a visita de Lawn De Jager, proprietário de Mas D’Argence. Marcelo, em sua função de assistente de direção, perguntou a ele se poderíamos utilizar a bicicleta que tínhamos visto em um dos quartos da casa. Ele, categoricamente, afirmou que não. Então, brevemente chocados, fomos conduzidos a um sótão, e ele disse: esta aqui, sim, é a bicicleta que vocês podem utilizar. Uma bicicleta da época da Segunda Guerra que havia trazido da Holanda, seu país de origem.

Seguíamos os dias acordando no horário estipulado pela produção e assistência de direção e filmávamos até o Sol se pôr. Sol de Van Gogh, Cézanne, Picasso. Sob o Sol dos ciganos, franceses e hispânicos se encontram. E nós, brasileiros, éramos recebidos com muita alegria e festa. Compromissos sociais que tivemos que cancelar em função do trabalho, infelizmente.

Dias depois, Simon Gillet, ator selecionado para a participação no filme, chegou à casa. Preocupação. Não o conhecíamos e precisávamos ter uma certa formalidade, a gosto dos franceses. Em nossos contatos via e-mail e Skype, o ator parecia muito acessível, mas, pessoalmente, poderia ser outra situação! Simon foi apresentado a nós quatro por Marcelo e Valérie, que o haviam apanhado em Forques. Depois de entendimentos sobre o personagem e o filme, e algumas horas dentro da van para encontrarmos a locação adequada para a primeira cena que faria no filme, Simon resolveu permanecer em Mas D’Argence com a equipe e não aceitou ir para um hotel em Arles. Gostou de nós!

Em Arles, fomos recebidos em um apartamento, em um prédio de 1500 (!), por um casal de franceses – Jean Pierre e Bernadete Vallorani –, que permitiu a equipe produzir uma festa com a presença da dupla de cantores Fatche D’Eux.Voilá!

Camargue, Lac St. Croix, Le Baux, Baduen, Vaucluse e outros lugares foram visitados pela equipe de “Mulher azul”, que, à moda cigana, abria a van, tirava o equipamento, enquanto a Patrícia trocava o figurino, e fazíamos a cena.Sempre sob o céu azul da Provence!"

(Maria Emília de Azevedo, diretora do filme "Mulher azul", baseado em meu livro do mesmo nome.)

Publicado em 24-06-2011 na categoria Gerais |



Um Comentário para ““Mulher azul”: a diretora Maria Emília de Azevedo fala sobre o filme baseado em meu livro”

  1. Luciane Falou o seguinte:
    No dia 24-06-2011 as 21:55

    O F.A.M,
    A dedicação da Maria Emilia,
    A sua Poesia,
    tudo isso
    aqui!!!
    No meu quintal!!!!
    Quanta honra, que alegria!!!

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