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Tudo no presente?

Outra moda que pegou, mas espero que não tenha vindo para ficar: em diversos textos que reviso, o autor, ao narrar episódios do passado, começa a redação usando os verbos no pretérito, mas logo passa a usá-los no presente. Por exemplo, um parágrafo pode se iniciar assim: “Em 1985, ele foi contratado por uma agroindústria e logo se tornou chefe de seção. Três anos depois, foi promovido a diretor”. E, alguns parágrafos depois, encontramos esta redação: “Em 1991, começa a estudar Administração de Empresas e se forma em 1995. Um ano depois, é chamado para dirigir um importante setor da agroindústria”. E por aí vai. Se a narração se refere ao passado, não há por que usar verbos no presente. É verdade que, na fala, em situação corriqueira, informal, o brasileiro mistura passado e presente, dizendo, por exemplo: “No ano passado, ele chega e pede demissão!”. Mas num texto o melhor seria manter a coerência, inclusive para não confundir o leitor em algum trecho. Portanto, deve-se, do início ao fim de um discurso referido ao passado, usar verbos no pretérito. E numa situação de futuro? A mesma coisa, devem ser evitados os verbos no presente: “No mês que vem, ele viajará” ou – se for um registro informal – “No mês que vem, ele vai viajar”, e não “No mês que vem, ele viaja”.

Publicado em 05-03-2016 na categoria Gerais | Faça um comentário »



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