“Eros” (2005) é um belo filme reunindo três histórias: “O perigoso encadeamento das coisas”, do italiano Michelangelo Antonioni, “Equilíbrio”, do estadunidense Steven Soderbergh, e “A mão”, do chinês Wong Kar Wai. Abrindo cada episódio, vemos os belíssimos desenhos em animação do artista italiano Lorenzo Mattotti (ver abaixo as obras da série “Acqua” para o filme), que é ilustrador, faz histórias em quadrinhos, capas de livro, cinema, capas de revista, aquarelas e muito mais (ver www.mattotti.com).
Seus desenhos parecem gravuras antigas, meio orientais, num
erotismo contido, delicado, que muito tem a ver com todo o filme. Para completar, a belíssima canção “Michelangelo Antonioni”, de Caetano Veloso”, é acompanhante dos desenhos.
O filme começa com o episódio dirigido por Antonioni, no qual três personagens, um casal em crise e uma mulher só, perambulam por amplos espaços à beira-mar. As duas mulheres, como ninfas, envolvem o personagem masculino, até que elas se reconhecem (ou reconhecem o perigo de estarem juntas) diante da nudez com que se entregam ao mundo, nudez esta não compartilhada pelo homem. E ambas dançam sem freios, como uma Isadora Duncan à beira-mar… Mas há um amor talvez ainda possível, há uma liberdade a ser explorada, daí a afinidade entre as mulheres e os belos e fugidios cavalos que comem maçãs…
O segundo episódio é uma irônica história em que um homem é perturbado, num sonho, em relação à sua relação amorosa. O sonho, em preto e branco, mostra um psicanalista tão afetado por suas obsessões eróticas quanto o “desequilíbrio” do paciente. De humor inteligente, “Equilíbrio” é o lado mais cerebral, menos poético do filme.
Já “A mão”, do chinês Wong Kar Wai (mesmo diretor do belíssimo e instigante
“Amor à flor da pele”, avança por um mundo de paixão contida, quase impossível, entre um aprendiz de alfaiate e uma prostituta. Há um amor entre os dois que acompanha a decadência da personagem, até que, no fim de tudo, há algo que se revela.
O erotismo do filme é sempre tenso, irrequieto, problemático. Mesmo nos amplos espaços iluminados de Antonioni, o conflito está à beira da explosão, mas ainda há alguma oportunidade. Para o amor? Só para o sexo? Com Soderbergh, a pulsão erótica se mistura ao medo, à paralisia, ao desequilíbrio que se imiscui em toda relação. E em “A mão”, episódio final, descemos ao pequeno inferno dos relacionamentos difíceis, senão impossíveis: espaços fechados, cores abafadas, atmosfera pesada, de decadência, silêncios fortes, que vão compondo, junto à fotografia peculiar, a sensação do fim.
O filme, então, caminha do espaço aberto para o encerramento, da luz para a escuridão, do tempo de uma juventude possível e de uma nudez diante das coisas para um tempo de finitude e fechamento do corpo em roupas, da gestualidade aberta (dança) ao gesto preso, da possibilidade (ainda que em meio à crise) do amor à sua impossibilidade.
O erotismo é ainda possível?
Publicado em 29-02-2008 na categoria Filmes | Faça um comentário »
Um dos cineastas mais impressionantes da história do cinema é, para mim, o russo Andrei Tarkovski. Dos seus nove filmes, vi sete (falta ver o primeiro, espécie de “conclusão de curso” da faculdade de cinema em Moscou, e um documentário para a RAI, TV italiana, chamado “Tempo di viaggio”). Todos os oito filmes de ficção foram premiados em diversos festivais. Não há um só filme de Tarkovski que seja superficial, fútil, ligeiro ou fraco. Não há uma cena, em toda a sua filmografia, que não seja detalhadamente construída a partir de suas necessidades expressivas. Tudo em Tarkovski é devedor de sua criação, nada mais, sem concessões de nenhuma espécie ao que quer que seja, a não ser à sua consciência artística. No livro Esculpir o tempo (Editora Martins Fontes), no qual o cineasta fala de sua trajetória e da realização de todos os filmes, se pode ler a extrema coerência desse que foi um dos criadores mais respeitados da história do cinema, apesar da pequeníssima quantidade de filmes que realizou. Seu rigor chega a detalhes técnicos, como no famoso episódio da casa queimando em “O Sacrifício”.
A casa era real, e no meio da filmagem de uma cena impressionante que tem mais de seis minutos, a câmera quebrou, o que fez Tarkovski decidir construir outra casa igual (um trabalho de meses!). Rigor que lembra o de Werner Herzog de “Fitzcarraldo”. A filmografia, fotos e até diversos trechos do diário de Tarkovski (em inglês), além de artigos sobre ele, podem ser vistos no site www.andreitarkovski.org, que tem um Conselho Assessor contendo nomes como Erland Josephson (o ator de “Nostalgia” e “O Sacrifício”, também ator de Ingmar Bergman), Margarita Terékhova (atriz de “O Espelho”) e Marina Tarkovskaia, irmã do cineasta. Outro site importante sobre Tarkovski é o nostalghia.com. Nesses tempos em que a massificação e a mediocridade tomam conta de tudo, nada mais destoante que o cinema de Tarkovski, um cineasta que se recusava a dar respostas digeríveis, mas que ousava lançar, a todo momento, perguntas essenciais.
Tarkovski e seu diário

Publicado em 12-02-2008 na categoria Filmes | Faça um comentário »
Joan Brossa (1919-1998) é um dos poetas mais originais da Espanha ou, para ser mais exato, da Catalunha. Escreveu diversos livros de poemas, além dos chamados “poemas visuais”, além de trabalhos cênicos e filmes. Sempre transitou entre as artes e a literatura, como se vê no “Poema visual”, serigrafia de 1978 (à esquerda). Unindo inteligência, crítica e irreverência, Brossa trabalhava a partir das atitudes mais interessantes do surrealismo, do dadaísmo e de uma série de fontes irrequietas como Duchamp, por exemplo. Sua obra sempre parte de uma contenção para expressar uma crítica que, não raro,
é irônica, como se vê na obra “Passagem proibida”, de 1988 (à direita).
Numa homenagem a Che Guevara (por ocasião da morte deste), Brossa compôs um poema simplesmente enumerando as letras do alfabeto, mas onde faltavam o “c”, o “h” e o “e”. Agora, acaba de sair no Brasil o livro Poesia vista, publicado pela Amauta Editorial e Ateliê Editorial. Outras obras, bibliobrafia e informações sobre o escritor podem ser encontrados no site da Fundação Joan Brossa.
Publicado em 12-02-2008 na categoria Escritores | 1 Comentário »
Foi uma surpresa muito boa ler os primeiros números da Piauí, uma revista
singular, com personalidade, que destoa da miséria editorial brasileira. Em nenhum outro veículo se vêem textos jornalísticos tão bons, com conteúdo rico, complexo, em reportagens aprofundadas, e não os minitextos que circulam nos diários do País. Na Piauí, o jornalismo se aproxima da literatura, de tal forma que, na seção “Esquinas”, por exemplo, não importa qual é o assunto, todos os textos (que não são assinados) são inteligentes, irônicos, críticos, bem escritos. Mas, além do jornalismo, há poesia, ficção, diário, fotos, quadrinhos, ilustrações, etc. Pela Piauí, já passaram nomes como os escritores Ivan Lessa, Ferreira Gullar, Martin Amis, Amós Oz, e. e. cummings, os cineastas Werner Herzog, Woody Allen, João Moreira Salles (um dos editores da revista), os cartunistas Angeli, Jaguar e o francês Marcel Gotlib, o artista plástico Nuno Ramos, a atriz Fernanda Torres e muitos mais. No site da publicação, há um amplo conteúdo à disposição dos leitores. Veja em Piauí.
Publicado em 31-01-2008 na categoria Gerais | 1 Comentário »
A Revista Internacional de Arte Lápiz, da Espanha, é uma das publicações européias mais interessantes, pela qualidade do debate que apresenta em torno da arte e da cultura em geral. Um dos textos mais interessantes é “En la cuerda de la mercancía”, de Piedad Solans, sobre a situação do artista em meio a uma sociedade tão massificada em que tudo vira mercadoria (mercancía). Revisitando os exemplos de Marcel Duchamp, Andy Wharol, Joseph Beuys e outros, além de pensadores como Adorno e Baudrillard, a autora esmiuça a condição atual do artista: ele consegue ser marginal dentro do sistema da arte ou não tem alternativa a não ser se integrar ao mercado acrítico?
Leia o artigo na íntegra (versões em espanhol e inglês) em Lápiz.
Publicado em 31-01-2008 na categoria Artes | Faça um comentário »
A diretora Maria Emília de Azevedo está preparando seu próximo filme, o curta “Mulher azul”, baseado num livro meu com o mesmo título. Seu projeto levou o primeiro lugar entre 28 propostas no recente Edital de Cinema de Santa Catarina. O roteiro é de Maria Emília e Marcelo Esteves.
“Um tiro na asa”, último filme de Maria Emília de Azevedo

Minha colaboração com a diretora começou com uma “ponta” no filme “Alva paixão” (Festival de Gramado 1995) e seguiu com os textos que escrevi para “Roda dos expostos” (Melhor Fotografia em Gramado 2001, de Charles Cesconetto). A equipe de “Mulher azul” foi selecionada com rigor, tendo Charles Cesconetto na fotografia, Lou Hamad na direção de arte e Cássio Moura na trilha sonora. Leia abaixo trechos do livro.
Mulher azul (fragmentos)
Chegando em casa à noite, toda a mata exalava silêncio. No meio da estrada, estatelado no asfalto, um gambá. Me aproximei. O corpinho dele de lado, os pêlos parecendo espinhozinhos finos, o rabinho pelado e dois olhinhos pretos. Os olhinhos ainda brilhavam, úmidos. Estacionei, abri a porta, sentei na poltrona com as luzes ainda apagadas.
Se eu cantasse, tremia.
***
A sensação que mais me aflige é a de ter tanto, estar sobrecarregada de coisas para compartilhar, para ceder, e morro com tudo isso em cima de mim numa vala do grande deserto.
***
O passarinho despencou na sacada. Começou a se agitar no chão de madeira, sacolejando, mas não saiu dali. Me aproximei como quem quer roubar algo. Tinha medo de desmontá-lo, e ele ali, sem forças, num espaço que não era o dele. Dei mais um passo. Ele tentou voar, mas não pôde. Então, o agarrei. Ele quis se debater, eu agüentei. Meu coração pulava com aquela vida quente nas mãos. Todo um céu se concentrava ali, naquele vôo latente. Os olhinhos pretos dele espiando o mundo. Então, como quem não crê em mais nada, voamos.
Leia o lívro na íntegra em Mulher azul.
Publicado em 31-01-2008 na categoria Filmes | Faça um comentário »
Clarice Lispector escreveu: “Eu não sou intelectual, eu escrevo com o corpo”. Não há ninguém na literatura que me abale com uma delicadeza tão incisiva quanto Clarice Lispector. Em seus livros, sobretudo os mais radicais na desagregação da narrativa e na entrada em território existencial, às vezes quase filosófico, como são A paixão segundo G. H. , Água viva e A hora da estrela, por exemplo, nada é supérfluo, cada frase é relevante, e todo o texto é marcado por uma vibração que chega ao desconforto. No último livro publicado pela Editora Rocco, Minhas queridas, podemos ler as cartas que ela enviava às irmãs no período em que morou no exterior. A mesma intensidade, sua humildade, sua solidão permanente e a carência de interlocutores mais profundos, tanto culturais quanto afetivos, fazem dessas cartas algo tão belo quanto sua própria “literatura” (no fundo, é tudo uma coisa só). Nunca me conformei em saber que eu tinha apenas 15 anos quando Clarice morreu, em 1977, já que só fui ler seus livros bem mais tarde. Até hoje, a impossibilidade de escrever a ela, de conhecê-la de alguma forma, me inquieta, e só me restou, então, o recurso de uma carta que lanço ao ar, como uma garrafa era lançada ao mar em meio ao naufrágio.
Carta a Clarice Lispector
Minha angústia é que jamais vou te conhecer. Eu que, como todos, fracassei. Mas o que eu tinha para te oferecer não era esse fracasso. Era a urgência na espera, o domingo vazio que não sei ocupar. Minha companhia são os livros e os discos. Mas, se já li tudo o que é seu! E agora, que você poderia ler o que te dou de presente como uma pétala, você não está. Mesmo assim, te escrevo uma carta, que é aventura numa garrafa ao mar. Te escrevo porque minha sensatez me impede de conversar com os vivos. E choro quando penso que nasci tarde, e a hora agora é a do desprezo, da guerra e da mediocridade. Vivo para mim um minuto do outro. Como Saint-Exupéry, me perco nas areias do grande deserto – mas vôo. Este caderno é um exercício de sobrevivência. O que te dou – me perdoa – é essa dor sem remédio, mas com ela podemos nos aquecer, nós dois, em volta de uma busca com bom vinho. Se estivesses sozinha, minha vontade era beijar teus lábios grossos de esfinge. Você tem um desejo sinuoso, mas forte, que chega a assustar, e eu queria encontrá-lo. Há tempos sem te ver, já possuo o cerne do desassossego. Quando penso que você está caminhando em Copacabana esmaltada de pedras pretas e brancas e chuvas, em meio ao ruído faiscante dos pneus na água, e eu aqui, soletrando a imprecisão do instante no chuvisco frio de outono, minha vontade é de beber um conhaque – eu, você e Drummond. E dane-se a etiqueta. (Você vai rir, mas um de meus insistentes desejos é estar em sua casa, e você descalça no assoalho. Nada me convence que seus pés são pequenos, delicados, você, ucraniana, disfarçada de carioca que já viveu o mundo. Esses pés, por ora, só ao vê-los estarei contente, tal a sua disponibilidade, não em desfilar, mas descansar sorrateira e levianamente sobre o braço do sofá. Meu segredo mais remitente é que, um dia – lá pelos tantos tempos que teríamos a sós, dentro de uma nuvem de palavras e olhares –, eu pudesse massagear seus pés, quase com vergonha, com um tremor nas mãos, você fechando os olhos.) Então, quando tua empregada trouxer o café e deixá-lo sobre a mesa, você fingirá que esse meu olhar para a empregada fugidia não significa nada, apenas o café está aqui, vamos bebê-lo. Você é uma espécie de Virginia Woolf ensangüentada pela luta com uma galinha viva. Sei da voracidade latente em suas mãos, mesmo longe da máquina de escrever, mas quero contê-las como ovos, pássaros, conchas. Ter em minhas mãos a quentura inacessível de tua palavra escondida na garganta.
Hoje, vi um trinta-réis pescando. Sou hipnotizado por um pássaro comendo, tudo concentrado ali no instante inapreensível nesta frase. Não sei o que procuro, na verdade estaco diante da iminência do susto, sabendo-a, como a gota escorre, lenta, sobre a pele. Então, me atinge a fome. E tudo isso me atormenta como se eu estivesse contente, mas não, é a perdição do oco de um domingo vadio, exposto a essa brancura que é minha vida sem um risco, gente indo e vindo, e suas vozes me irritam. Mas ainda me distraio, passeio, olho a nuvem amarela do poente, mordo o pêssego, salivo o vinho branco e me acaricio. E é só. Depois, o dia desaba sem ninguém, precário, empurrando tudo. Me crispo na urgência da página, vem o teu nome, o dia se dobra sobre si mesmo, entrópico, como o caule de um segundo me sugando, a noite, uma espessura só, um jazz que me levita, e o teu perfume que imagino, mas você segue vaporosa. Esta carta é uma mão apertada, como um beijo no escuro.
Clarice, nada, nem o mar nem Chopin na manhã escura de um sábado de inverno, nem um jazz ao vivo ou o beijo de alguém que me arrebata, nada me assegura o mesmo espanto trêmulo que seria te encontrar na tessitura de um dia sem pressa. O fato de essa possibilidade estar extinta me esbofeteia como o vento escancarando as janelas em meio à tempestade. Não há coisa mais estranhamente triste que algo inexorável. A pulsão de escrever vem abafar esse escândalo que me entontece o corpo, a ausência tua que não pára de crescer e se arvorar no inferno. Tempo é a merda do mundo. Ele mói o o encontro possível. Meu consolo é nulo. Mas como não tenho para quem escrever, escrevo para você. Dentro dessa esfera afásica, só sou porque insisto. E escrevo porque, se estas cartas pararem nas mãos de alguém, e esse alguém acordar para a verdade jogada na cara, veludo e farpa, como te ofereço a face ao teu gesto sem luvas, e esse alguém gritar no meio da noite porque a palavra desloca as paredes e demole muros, então estarei salvo, próximo, não de tocar você, mas sentir o perfume de um corpo com sede, diante do mar inalcançável. Então, eu brindarei contigo.
Leia mais Cartas no site.
Publicado em 24-01-2008 na categoria Escritores | 2 Comentários »
Gatos: pequeno dicionário poético é um livro meu em andamento, que se encontra em meu site. Trata-se de “verbetes” meio literários, meio documentais sobre diversos aspectos da vida dos gatos e da personalidade felina. Os textos são organizados por palavras, em ordem alfabética. Aqui vai uma mostra da letra “P”, com o texto “Perdão”.
Perdão
Quando aquela torta de atum sobre a mesa é demasiado tentadora e, como quase tudo, está ao seu alcance, o gato saboreia, num pulo, a refeição que não foi feita para ele. Então, dá de cara com seu dono. Escuta a repreensão raivosa e chega a sentir no dorso um tapa furioso roçando-o na fuga. Segundos depois, o gato volta para perto do dono, olhos tristes e sutis, e oferece suas desculpas. O dono resiste. Ameaça, ensina uma moral ao felino, mas acaba dando o seu perdão. Quando é a vez de o dono lançar uma farpa ferina, descarregando no animal a sua fúria humana, é o gato, mais uma vez, que se aproxima, roça o corpo nas pernas do dono, alheio às razões da violência e à violência da razão, e compõe ali uma teia quase imperceptível de afeto. O dono não entende – não quer entender – e se afasta. O gato volta a procurá-lo, entregando seu corpo como uma carícia, aceitando um perdão que não lhe foi dado, perdoando aquele que resiste a ser felino, até que os dois voltem a ser, no que resta de tempo naquele dia, duas carências animais.
Leia mais em Gatos.
Publicado em 23-01-2008 na categoria Gerais | 1 Comentário »
Ter uma “carreira” intelectual ou artística implica crer na possibilidade de intervir no social, de essa carreira possuir uma utilidade e de nos tornarmos, por nossos méritos, alguém necessário. (Carreira significa correr, e o que mais se vê, realmente, é uma correria pelo poder.) O professor universitário, o crítico ou o artista famoso são exemplos dessa corrida pelo poder. Renunciar ao poder não significa, entretanto, abandonar a criação (Rimbaud) nem investir contra as instituições culturais – isso seria acreditar no mesmo: não numa carreira “oficial”, mas “marginal”. Mas talvez se possa imaginar uma farsa instigante: devolver à ficção do poder o simulacro de uma ação negativa, tão fugaz que escape à possibilidade de se fazer também dela um exercício de poder.
Ler mais textos em Pequenos ensaios.
Publicado em 23-01-2008 na categoria Tapas | Faça um comentário »
Duas rádios maravilhosas na internet especializadas em jazz são a Jazz 91 FM, do Canadá, e a Jazztrax Studio, dos Estados Unidos. A rádio canadense, com sede em Toronto, tem vários estilos, incluindo um jazz mais tradicional, mas também toca os brasileiros Tom Jobim, Eliane Elias, Luiz Bonfá e até uma versão instrumental de Ary Barroso! Em sua programação, há também entrevistas, apresentações ao vivo e pequenos noticiários produzidos pela BBC.

A Jazztrax transmite principalmente o chamado smooth jazz, mais suave, estilo George Benson, super agradável, e não tem notícias nem propagandas. As músicas são, em sua maioria, instrumentais. Duas opções imperdíveis!
Publicado em 23-01-2008 na categoria Música | Faça um comentário »