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O artista e a “carreira”

Ter uma “carreira” intelectual ou artística implica crer na possibilidade de intervir no social, de essa carreira possuir uma utilidade e de nos tornarmos, por nossos méritos, alguém necessário. (Carreira significa correr, e o que mais se vê, realmente, é uma correria pelo poder.) O professor universitário, o crítico ou o artista famoso são exemplos dessa corrida pelo poder. Renunciar ao poder não significa, entretanto, abandonar a criação (Rimbaud) nem investir contra as instituições culturais – isso seria acreditar no mesmo: não numa carreira “oficial”, mas “marginal”. Mas talvez se possa imaginar uma farsa instigante: devolver à ficção do poder o simulacro de uma ação negativa, tão fugaz que escape à possibilidade de se fazer também dela um exercício de poder.

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Publicado em 23-01-2008 na categoria Tapas |



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